Fashion Revolution

Tendência é entender.


O que vemos nos nossos centros urbanos? De repente virou moda andar de bicicleta... E de repente virou moda levar marmitinha para o trabalho... Daí veio alguém e decidiu plantar árvores no cimentado Largo da Batata. A tendência é se conscientizar, e não vai ser diferente com as roupas que vestimos. Sem discursos ecológicos da minha parte, prometo, sem apelos! Mas o que já está fermentando na nossa sociedade, e que não podemos mais ignorar, são as implicações sociais e naturais sobre o modo que vivemos. Somos muitíssimo bem informados hoje, para que haja desculpas (de desconhecimento) sobre os impactos que causamos no meio, através da forma que consumimos e agimos no nosso dia-a-dia.

Os mesmos conceitos que nos fazem gerir pequenas mudanças na nossa vida, são os que começam a ser aplicados na hora do vestir. O valor da roupa, não é o seu custo no caixa, é aquele que damos, de acordo com a nossa percepção, o que chamamos no marketing, de valor agregado.

Vamos então pensar em valor agregado, por exemplo: uma peça que vem com uma história é bem mais interessante. E de onde vem essa história? Pode ser através de quem deu, sentimos um afeto muito grande pela pessoa que a escolheu com tanto carinho, ou ela te contou que era de família, ou coisas assim. Pode ser através da sustentabilidade do produto, isso o torna duplamente consciente. Ou ainda através da marca, que cria um universo próprio e uma história específica da coleção, para que dessa forma desperte empatia no consumidor. E é assim que sobrevivem as marcas de luxo do mercado. Vejam a Dolce & Gabbana, como criou a imagem perfeita de um verão siciliano e vem se reinventando sobre a mesma ideia há algumas estações. Ou a própria Victoria Secrets, que vende produtos muito similares há vários anos, mas cria uma magia tão grande no lançamento de seus desfiles anuais, que acabou por se tornar uma das marcas mais conhecidas de lingerie do mundo.

Mas quem agrega valor, somos nós. E a tendência é ter consciência do que vestimos. Uma peça, pensada duas vezes antes de ser comprada, é uma peça mais desejada.

O maior erro fashion, que também já cometi (a compra por motivos que não sejam o apreço ao produto), gerou o que hoje acredito ser o maior alerta de consumo que exista para o mundo da moda: Não ama, não compra!

Impulsos consumistas não levam a nada, hoje prefiro ter uma blusa que eu ame, do que meia dúzia que foram super baratas. E não vou ser hipócrita e dizer para não comprarem roupas baratas, citando trabalho análogo ao escravo. Sei que é possível encontrarmos roupas acessíveis que não são fruto de abusos aos trabalhadores. Estive em diversas fábricas de roupas no Brasil, na Índia e no Sri Lanka, e pude observar vários formatos e condições de trabalho da produção industrial. Vi no Sri Lanka, por exemplo, uma fábrica extremamente preocupada com seus funcionários, com saúde, alimentação, segurança, educação e lazer, numa polarização absurdamente contrária ao que costumamos ouvir. Mas também fui assombrada em outro momento pelo cruel sistema de castas indiano, que ainda me chocam, só de lembrar.

A questão que levanta a bandeira do movimento “Fashion Revolution” é perguntar - e por que não? - a origem da sua roupa. “Quem fez minha roupa?”. E a questão que levanto é por que não olhamos as etiquetas e optamos pelas roupas de origem natural. Os tecidos sintéticos são produzidos com base em compostos de petróleo e outras fontes não renováveis, no geral esquentam, bloqueiam a transpiração e não tem o toque tão agradável quanto os tecidos de fibras de origem natural, como o algodão, a lã e a própria seda, que além de tudo, depois que as peças forem descartadas, se decompõem mais rapidamente na natureza.

Consumo de moda consciente é você entender-se, conhecer seu corpo e gostos pessoais, saber transformar, racionalizar o que compra, seja economicamente, em termos de qualidade, durabilidade e quem sabe, num futuro próximo, em termos de origem. E enfim, valorizar! Valorizar pode ser, entre outros, lembrar-se do ditado popular “Não tenho tudo o que quero, mas quero tudo que tenho”. Cuidar do que é seu, deixar ir se você não ama mais e criar suas próprias histórias.


https://www.instagram.com/fash_rev_brasil/ | https://www.instagram.com/fash_rev/
http://fashionrevolution.org/ | http://fashionrevolution.org/country/brazil/


Por Isadora Rodrigues,

São Paulo, 23 de Setembro de 2020

11 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

CADASTRO

  • Instagram
  • Facebook
  • Pinterest

Postagem em 24hs

 

I.Brand - CNPJ - 33.512.973/0001-69

Avenida Diógenes Ribeiro de Lima, 2001, Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05458-001